sábado, dezembro 01, 2018

República dos Assassinos (Miguel Faria Jr., 1979)


Tarcísio Meira (Mateus Romeiro): Querem me fazer pagar pelos erros de todos. Eu sou um policial Dr. Clemente. Acima de tudo eu sou um policial. Não é justo depois de tudo que eu fiz que me deixem apodrecer aqui dentro da cadeia. Foi por isso que eu mandei chamar o senhor aqui. Eu tenho que sair daqui.
Ítalo Rossi (Dr. Clemente): Você está nas mãos da justiça. Só ela pode....
Tarcísio Meira: A justiça não decide coisa nenhuma Dr. Clemente, o senhor sabe disso. Nós agimos antes da justiça. Só o que eu preciso é da ajuda dos bons amigos que eu tenho. Eu tenho bons amigos. O senhor, por exemplo, é ou não é meu amigo?
Ítalo Rossi: Vocês me traíram... traíram a minha confiança. Estão sabendo de tudo... até o Alcindo quer abrir o bico e falar com o promotor. Sei lá que histórias ele vai inventar....
Tarcísio Meira: O senhor sabe das histórias todas, sempre soube. Tá certo, o Alcindo é um bobo por querer abrir o bico, mas eu compreendo como ele está se sentindo. Engaiolado feito um bicho, um marginal qualquer, eu mesmo já tive vontade de mandar chamar esse promotor...
Ítalo Rossi: O quê?
Tarcísio Meira: Mas aí eu me lembrei dos bons amigos que eu tenho, e pensei... a minha obrigação é proteger os bons amigos. Porque mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, eles vão me tirar da cadeia. A minha prisão foi um erro Dr. Clemente. Eu não devia estar aqui. Se não fosse aquela putinha, filha do seu amigo...
Ítalo Rossi: A moça está enganada, disse que você a sequestrou... foi isso o que ela contou para o pai.
Tarcísio Meira: Os dois são da mesma raça... não tenho dúvida disso. Ele vai ganhar uma cadeira no Senado e ela vai conseguir um babaca qualquer pra se casar com ela. Quanto a mim, eu não fico aqui... nem mais um dia. Pense bem sobre o assunto... o senhor é ou não é meu amigo?

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